Fit Cultural: o que avaliar na hora da contratação de jovens?
O termo Fit Cultural (alinhamento cultural) virou um mantra no RH moderno. A premissa é lógica: contratar pessoas que compartilhem dos valores e crenças da empresa aumenta o engajamento e reduz turnover.
Porém, quando aplicamos essa mesma régua para contratar estagiários e aprendizes, podemos cair em uma armadilha perigosa.
Muitas vezes, o que o recrutador entende como “falta de fit” (postura rígida, timidez excessiva, vestimenta destoante ou falta de repertório corporativo) é apenas inexperiência. Lembre-se: para muitos desses candidatos, aquela é a primeira entrevista da vida. Eles ainda não “são”; eles “estão se tornando”.
Então, como avaliar se um jovem tem aderência à sua cultura organizacional se ele ainda é uma “folha em branco” profissionalmente?
Ao buscar fit cultural em jovens, o risco de viés inconsciente é alto. Pois, o recrutador tende a aprovar quem se parece com ele ou com o time atual (mesma gíria, mesma faculdade, mesmos hobbies).
Isso não é fit cultural; é “clonagem corporativa”. E isso acaba com a inovação.
O jovem talento, por definição, vem de outra geração, muitas vezes de outra realidade social, e traz códigos diferentes. Se a sua régua for “ele age como nós?”, a resposta provavelmente será não. E se for “sim”, você pode estar perdendo a chance de trazer diversidade cognitiva para o time.
Ao invés de buscar comportamentos prontos, o segredo é avaliar potencial e valores fundamentais. Aqui estão 4 pilares para substituir o tradicional “Fit Cultural” na contratação de entrada:
Em vez de perguntar “ele se encaixa na nossa caixa?”, pergunte “o que ele traz que falta na nossa caixa?”. Talvez sua empresa seja muito formal e precise de agilidade digital. Assim, um jovem que aprende rápido e usa ferramentas novas pode não ter o “fit” da formalidade, mas tem o “add” da inovação que você precisa.
Se você não pode cobrar experiência, cobre curiosidade. Durante a entrevista, observe:
Confundir educação com fit cultural é comum. Um jovem pode não saber se portar em uma reunião de diretoria (comportamento moldável), mas ser extremamente honesto e colaborativo (valores inegociáveis). Foque nos valores: ética, respeito e responsabilidade. As habilidades que o seu programa de estágio ou aprendizagem deve ensinar.
A cultura da sua empresa é “mão na massa”? É voltada para resultados? Tente identificar isso na vida pessoal do candidato, já que ele não tem vida profissional.
• “Me conte uma vez que você teve que resolver um problema na escola ou em casa.”
• “Como você lida quando algo dá errado?”. Essas respostas dizem mais sobre a aderência dele ao ritmo da empresa do que um teste de perfil comportamental padrão.
Para atrair jovens que tenham conexão com sua empresa, a comunicação precisa ser clara antes mesmo da entrevista. Por isso, seu Employer Branding deve comunicar não só os benefícios, mas o jeito de ser da organização. Se sua empresa é “hard work” e acelerada, diga isso no anúncio. Se é acolhedora e foca em ensino, deixe claro. Isso ajuda o próprio jovem a fazer uma autoavaliação se aquele ambiente é para ele.
Contratar jovens é um exercício de futuro. Você não contrata o profissional que ele é hoje, mas o que ele será daqui a dois anos sob a sua liderança.
Ao flexibilizar a análise de fit cultural na entrada, focando em valores e potencial, sua empresa ganha em diversidade, oxigena as ideias e forma profissionais verdadeiramente leais à sua marca.
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