Como a Geração Z está redesenhando a saúde mental no trabalho
Há uma narrativa que precisa ser aposentada de vez nos corredores das empresas: a de que a Geração Z é frágil.
Jovens que nasceram entre 1997 e 2012 não pedem menos, mas somente o que é justo. E, ao fazê-lo, estão forçando o mundo corporativo a encarar uma realidade que gerações anteriores simplesmente aprenderam a suportar em silêncio.
Segundo a Pesquisa Global da Deloitte de 2024, realizada com quase 23.000 respondentes em 44 países, 40% dos jovens da Geração Z se sentem estressados na maior parte do tempo, diante de 33% dos Baby Boomers.
Somente metade deles avalia sua saúde mental como boa ou muito boa. No Brasil, o cenário é ainda mais urgente.
O Ministério da Previdência Social registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024, um aumento de 67% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica. Ansiedade, depressão e burnout lideram as causas.
Dados da consultoria B2P mostram que a Geração Z já responde por 33% de todos os afastamentos por saúde mental no ambiente corporativo brasileiro, número que tende a crescer conforme essa geração avança na força de trabalho.
O custo sistêmico também impressiona: o Banco Mundial e a OPAS estimam que os prejuízos ligados à saúde mental equivalem a 4,7% do PIB brasileiro, algo em torno de R$ 554,6 bilhões, somando absenteísmo, presenteísmo, turnover e custos com recrutamento e treinamento.
Enquanto Millennials e Gen X vivem com essa “cultura do sofrimento” como rito de passagem profissional, os Gen Z chegam ao mercado com inteligênciaemocional, acesso a informação sobre saúde mental e disposição para colocar limites onde enxergam risco.
E, para os gestores, pode ser um ponto de reflexão: se o estagiário pede equilíbrio, talvez o problema não seja ele.
A atualização da NR-1, que entrou em vigor em maio de 2025, confirma essa virada: empresas passam a ser obrigadas a identificar e gerenciar riscos psicossociais.
Nesse caso, assédio moral, sobrecarga e ambientes tóxicos agora têm implicações legais e financeiras diretas.
Cuidar da saúde mental do jovem profissional é estratégia. Assim, três impactos diretos merecem atenção dos gestores:
O estudo Gallup de 2024 revelou que o engajamento ativo de jovens trabalhadores caiu de 40% para 35% desde 2020.
Entre os fatores que impulsionam essa queda, temos:
Estagiários que se sentem psicologicamente seguros ficam mais tempo, custam menos para reter e evoluem com mais velocidade.
Ambientes psicologicamente seguros, onde errar é permitido e opiniões são ouvidas, são o solo fértil da inovação.
A Geração Z, nativa digital e multifacetada, entrega seu melhor quando confia no ambiente.
Quando não confia, entrega o mínimo necessário para não ser demitida. Essa distinção tem nome: é o “quiet quitting”, fenômeno que impacta negativamente osresultados.
A reputação como marca empregadora é cada vez mais construída (ou destruída) nas redes sociais, e a Geração Z é sua principal protagonista.
Segundo a Deloitte, quando as empresas avançam nas questões que importam para esses jovens, eles se tornam embaixadores espontâneos da organização.
O inverso também é verdadeiro: ambientes tóxicos viram conteúdo no TikTok antes do processo trabalhista.
O CIEE/PR atua exatamente nessa interseção entre o jovem em formação e o ambiente corporativo que o recebe.
Apoiamos empresas e estudantes na construção de relações de trabalho saudáveis, produtivas e sustentáveis.
Isso significa orientar gestores sobre como criar ambientes de acolhimento sem perder exigência; oferecer suporte ao estagiário que está, muitas vezes, vivendo sua primeira experiência profissional; e ajudar as organizações a entender que investir em saúde mental é a base de qualquer cultura de alta performance.